Quem pesquisa tratamento para varizes encontra três palavras repetidas o tempo todo: escleroterapia, laser e cirurgia. E quase sempre elas aparecem como se fossem concorrentes, como se fosse preciso escolher o “melhor” entre os três.
Só que essa comparação parte de uma premissa errada. Cada um desses nomes reúne técnicas diferentes, feitas para veias diferentes. O laser que trata um vasinho no tornozelo não tem nada a ver com o laser que fecha uma veia safena. E a cirurgia de hoje, na maioria das vezes, não exige internação nem anestesia geral.
Neste guia, a equipe médica da Clínica EVAS organiza a resposta pelo que realmente define a escolha: o tipo de veia que você tem. Ao final, você vai saber qual tratamento costuma ser indicado para cada caso e por que, na prática, a combinação de técnicas é mais comum do que a escolha de uma só.
Resposta direta: qual tratamento para qual veia
A indicação depende do calibre, da profundidade e da origem da veia doente, confirmados no exame físico e, quando necessário, no ultrassom com Doppler. De forma resumida:
- Vasinhos finos e avermelhados (telangiectasias): escleroterapia líquida ou laser transdérmico, isolados ou combinados.
- Veias reticulares azuladas, sem relevo: escleroterapia líquida ou com espuma, muitas vezes associada ao laser transdérmico.
- Varizes salientes, em relevo, sem refluxo na safena: flebectomia ambulatorial por microincisões ou escleroterapia com espuma.
- Varizes causadas por refluxo na veia safena: laser endovenoso como primeira escolha, com cirurgia convencional reservada a situações específicas.
- Pele escurecida, endurecida ou com feridas: tratar o refluxo é prioridade, geralmente por técnica endovenosa, junto com terapia compressiva.
Em resumo: escleroterapia, laser e cirurgia não competem entre si. Eles atuam em camadas diferentes do mesmo sistema venoso, e o plano mais eficaz costuma usar mais de um.
Antes de comparar: cada nome esconde mais de uma técnica
Boa parte da confusão nasce do vocabulário. Quando alguém diz “fiz laser” ou “vou operar”, pode estar falando de procedimentos completamente diferentes.
Escleroterapia: líquida, espuma ou associada ao frio
Toda escleroterapia funciona pelo mesmo princípio: uma substância esclerosante é aplicada dentro do vaso, irrita sua parede de forma controlada e provoca o fechamento. Com o tempo, o organismo absorve o vaso fechado. O que muda é a forma de aplicação:
- Escleroterapia líquida: agulhas ultrafinas, indicada para vasinhos e vasos de pequeno calibre.
- Escleroterapia com espuma: o medicamento é transformado em microespuma, que ocupa melhor o interior do vaso e alcança veias mais calibrosas. Pode ser guiada por ultrassom. Veja os detalhes em escleroterapia com espuma.
- Crioescleroterapia: associa a aplicação do esclerosante a jatos de ar gelado, o que reduz o desconforto e potencializa o resultado em vasinhos finos.
Laser: transdérmico ou endovenoso
Aqui está a maior fonte de mal-entendidos. Existem dois tratamentos a laser, com indicações que praticamente não se cruzam:
- Laser transdérmico: aplicado sobre a pele, sem agulhas. A luz é absorvida pela hemoglobina do vaso e gera calor que o fecha. Trata vasinhos finos, vasos resistentes à escleroterapia e áreas delicadas, como o rosto.
- Laser endovenoso: uma fibra óptica é introduzida dentro da veia por uma punção, guiada por ultrassom, com anestesia local. Fecha veias de grande calibre, como as safenas, que são a origem do refluxo. Entenda o passo a passo em laser endovenoso.
Ou seja: o laser transdérmico não trata safena, e o laser endovenoso não trata vasinho. O artigo sobre tratamento de varizes a laser aprofunda essa diferença.
Cirurgia: convencional ou por microincisões
- Cirurgia convencional (safenectomia): retirada da veia safena por incisões, em centro cirúrgico, com anestesia geral ou raquidiana e, em geral, um dia de internação.
- Flebectomia ambulatorial: retirada das varizes salientes por furos de 1 a 2 mm, com anestesia local e, em geral, sem pontos. Conheça o procedimento em flebectomia ambulatorial por microincisões.
| Técnica | Como atua | Alvo principal | Anestesia | Retorno às atividades |
|---|---|---|---|---|
| Escleroterapia líquida | Esclerosante injetado no vaso | Vasinhos e vasos finos | Dispensada | Imediato |
| Crioescleroterapia | Esclerosante com resfriamento da pele | Vasinhos finos nas pernas e na face | Dispensada | Imediato |
| Escleroterapia com espuma | Microespuma esclerosante, com ou sem ultrassom | Veias reticulares e varizes de pequeno e médio calibre | Dispensada na maioria dos casos | Imediato |
| Laser transdérmico | Luz aplicada sobre a pele, sem agulha | Vasinhos finos, resistentes ou em áreas delicadas | Dispensada | Imediato |
| Laser endovenoso | Fibra dentro da veia, fechamento térmico | Veias safenas com refluxo | Local tumescente | 24 a 48 horas para atividades leves |
| Flebectomia ambulatorial | Retirada da veia por microincisões | Varizes salientes (tributárias) | Local | 24 a 48 horas para atividades leves |
| Cirurgia convencional | Retirada da safena por incisões | Safena em casos selecionados | Geral ou raquidiana | 2 a 4 semanas |
Qual tratamento é indicado para cada caso
A forma mais útil de pensar a escolha é olhar para a própria perna. Os cinco cenários abaixo cobrem a grande maioria dos pacientes que chegam ao consultório vascular.
Caso 1: vasinhos finos, vermelhos ou arroxeados
São as telangiectasias, vasos com menos de 1 mm, sem relevo, em forma de traço, teia ou galho. Na maioria das vezes, a questão é estética, mas ainda assim merece avaliação antes do tratamento.
Indicação habitual: escleroterapia líquida, crioescleroterapia ou laser transdérmico. A escleroterapia segue como referência para a maior parte dos vasinhos, e a diretriz europeia de 2022 (ESVS) reforçou o papel do laser transdérmico nesse grupo. O laser costuma ganhar espaço em vasos muito finos, difíceis de puncionar, em quem já fez escleroterapia sem resposta completa ou em quem tem aversão a agulhas.
Outra opção para vasinhos é a radiofrequência transdérmica, que não deve ser confundida com a radiofrequência endovenosa usada em safenas.
Cirurgia não tem papel aqui. Mais detalhes sobre causas e prevenção estão no artigo sobre vasinhos nas pernas.
Caso 2: veias azuladas visíveis sob a pele, sem relevo
São as veias reticulares, com calibre entre 1 e 3 mm. Elas são importantes por um motivo pouco conhecido: com frequência, funcionam como “veias nutridoras” que alimentam os vasinhos ao redor. Tratar só o vasinho e deixar a reticular costuma levar a resultado incompleto.
Indicação habitual: escleroterapia líquida ou com espuma. Muitos planos associam o laser transdérmico na mesma sessão, uma lógica de tratamento combinado que, na literatura, aparece sob a sigla CLaCS (criolaser associado à crioescleroterapia). Na Clínica EVAS, dispositivos de visualização venosa por realidade aumentada ajudam a localizar essas veias nutridoras durante o procedimento.
Caso 3: varizes grossas e salientes, sem refluxo na safena
São veias com mais de 3 mm, em relevo, tortuosas. Quando o ultrassom mostra que a safena está saudável, o problema está concentrado nesses ramos, chamados de veias tributárias.
Indicação habitual: flebectomia ambulatorial ou escleroterapia com espuma, isoladas ou combinadas. Essa é uma das recomendações reforçadas pela ESVS em 2022. A escolha entre retirar a veia (flebectomia) ou fechá-la por dentro (espuma) depende do calibre, do trajeto, da quantidade de veias e da preferência discutida com o médico.
O que não resolve: escleroterapia líquida ou laser transdérmico sozinhos. Eles não têm alcance para esse calibre.
Caso 4: varizes causadas por refluxo na veia safena
Aqui as varizes visíveis são a consequência, e a causa está mais fundo: uma veia safena com válvulas que não fecham, deixando o sangue voltar para baixo. Sintomas como peso, dor no fim do dia, inchaço e cãibras são frequentes. Esse diagnóstico só é confirmado pelo eco-Doppler venoso.
Indicação habitual: laser endovenoso como primeira escolha, para fechar a origem do refluxo. A cirurgia convencional segue válida em situações específicas, como anatomia desfavorável à passagem da fibra. Essa comparação está detalhada em cirurgia de varizes x tratamentos minimamente invasivos.
O que não resolve: tratar apenas os ramos visíveis com escleroterapia ou flebectomia, sem corrigir a safena. O resultado até aparece no início, mas a tendência é de recidiva precoce.
Caso 5: pele escurecida, endurecida, feridas ou varizes que voltaram
Manchas acastanhadas, pele endurecida perto do tornozelo e feridas que demoram a cicatrizar indicam insuficiência venosa crônica em estágio avançado. Nesses casos, a pergunta deixa de ser estética: o objetivo é conter a progressão.
Indicação habitual: tratamento do refluxo, geralmente por técnica endovenosa, associado a terapia compressiva e cuidado da pele. Nas recidivas após tratamento anterior, o mapeamento por ultrassom define se o novo plano envolve espuma, flebectomia, laser endovenoso ou, em casos complexos, abordagem cirúrgica. O tema é aprofundado em varizes voltam depois do tratamento?
| O que você vê na perna | Calibre aproximado | Primeira escolha habitual | Alternativas ou complementos | O que sozinho não resolve |
|---|---|---|---|---|
| Vasinhos vermelhos ou roxos, sem relevo | Menos de 1 mm | Escleroterapia líquida ou crioescleroterapia | Laser transdérmico, radiofrequência transdérmica | Cirurgia (não indicada) |
| Veias azuladas sob a pele, sem relevo | 1 a 3 mm | Escleroterapia líquida ou com espuma | Laser transdérmico associado (criolaser) | Tratar só os vasinhos ao redor |
| Varizes em relevo, safena saudável | Mais de 3 mm | Flebectomia ambulatorial ou espuma | Combinação das duas técnicas | Escleroterapia líquida ou laser transdérmico |
| Varizes com refluxo na safena | Tronco safeno dilatado | Laser endovenoso | Cirurgia convencional em casos selecionados | Tratar só os ramos visíveis |
| Pele escura, endurecida ou com ferida | Variável | Correção do refluxo e compressão | Espuma, flebectomia, cuidado de feridas | Tratamento apenas estético |
Os calibres são referências gerais. A classificação final é feita pelo cirurgião vascular no exame físico e no ultrassom.
Por que a combinação costuma vencer a escolha única
Na vida real, poucas pernas têm um único tipo de veia doente. É comum a mesma paciente ter refluxo na safena, algumas varizes salientes na panturrilha e vasinhos na coxa. Cada camada pede uma técnica diferente, e a ordem importa:
- Fechar a origem do refluxo, quando ela existe, geralmente com laser endovenoso.
- Tratar as varizes salientes, por flebectomia ou espuma, na mesma sessão ou depois.
- Finalizar os vasinhos e as veias reticulares, com escleroterapia e laser transdérmico, algumas semanas mais tarde.
Começar pelo fim (tratar vasinhos com refluxo ativo por baixo) é uma das causas mais frequentes de “o tratamento não funcionou”. O vaso tratado fecha, mas a pressão que o criou continua lá e abre novos caminhos.
O que pode mudar a indicação, mesmo para o mesmo tipo de veia
Dois pacientes com veias parecidas podem receber planos diferentes. Os fatores que mais pesam são:
- Objetivo do tratamento: aliviar sintomas e impedir progressão é diferente de melhorar a aparência. Os dois são legítimos, mas mudam a prioridade.
- Pele e exposição ao sol: pele recém-bronzeada costuma exigir adiar sessões de laser transdérmico ou ajustar os parâmetros. Quem tem tendência a manchas pede atenção redobrada na escolha da técnica.
- Medo de agulha ou ansiedade: pode favorecer o laser transdérmico em vasinhos. Para procedimentos com punção, a analgesia consciente com óxido nitroso (ANNOX) torna a experiência mais confortável.
- Gestação: os tratamentos eletivos costumam ser adiados para depois do parto e da amamentação, como explicado em varizes na gravidez.
- Trombose atual ou recente: o procedimento é postergado e a prioridade passa a ser o tratamento da trombose venosa profunda.
- Tratamentos anteriores: veias já tratadas, fibrosadas ou com anatomia alterada mudam a estratégia técnica.
Três erros comuns na hora de escolher
1. Escolher pela tecnologia, e não pela veia
“Quero fazer laser” é um pedido frequente, mas o laser certo para um caso pode ser inútil para outro. O ponto de partida é o diagnóstico, não o equipamento.
2. Tratar o que aparece e ignorar o que não aparece
Vasinhos podem ser a ponta visível de uma veia reticular ou de um refluxo de safena. Sem exame, o tratamento corre o risco de ser repetido várias vezes sem resultado duradouro.
3. Achar que “cirurgia” significa sempre hospital e semanas de repouso
Boa parte do que hoje se chama de cirurgia de varizes é feito em ambiente ambulatorial, com anestesia local e retorno rápido. A cirurgia convencional ainda existe, mas ocupa um espaço bem mais restrito do que no passado. Se esse for o seu caso, veja o que esperar em recuperação após a cirurgia de varizes.
Como a decisão é tomada na consulta
A escolha entre escleroterapia, laser e cirurgia segue um raciocínio previsível:
- Conversa sobre sintomas e objetivos: peso, dor, inchaço, cãibras, incômodo estético, histórico familiar e tratamentos prévios.
- Exame físico em pé: identifica o tipo, a distribuição e o calibre das veias visíveis.
- Eco-Doppler venoso, quando indicado: mostra se há refluxo, onde ele começa e como está o sistema venoso profundo.
- Plano de tratamento: define quais técnicas serão usadas, em que ordem e em quantas etapas.
Esse processo explica por que um tratamento escolhido sem avaliação tende a falhar. Para cuidados depois das sessões de escleroterapia, veja recuperação pós-escleroterapia.
Códigos CID-10 relacionados
Usados com frequência em relatórios médicos e pedidos de autorização:
- I83: varizes dos membros inferiores
- I83.9: varizes dos membros inferiores sem úlcera ou inflamação
- I83.1: varizes dos membros inferiores com inflamação
- I83.0: varizes dos membros inferiores com úlcera
- I87.2: insuficiência venosa (crônica) (periférica)
Perguntas frequentes
Laser é melhor que escleroterapia para vasinhos?
Não existe um melhor absoluto. A escleroterapia continua sendo a referência para a maioria dos vasinhos e veias reticulares, e o laser transdérmico é especialmente útil em vasos muito finos, resistentes à escleroterapia, em áreas delicadas como o rosto ou em quem prefere evitar agulhas. Muitas vezes, as duas técnicas são combinadas no mesmo plano para um resultado mais completo.
O laser substitui a cirurgia de varizes?
Depende de qual laser. O laser endovenoso substituiu a cirurgia convencional na maior parte dos casos de refluxo na veia safena, com eficácia comparável e recuperação muito mais rápida. Já o laser transdérmico trata apenas vasinhos superficiais e não substitui nenhum procedimento para varizes de maior calibre.
Escleroterapia resolve varizes grossas?
A escleroterapia líquida, não. Ela é feita para vasos finos. A escleroterapia com espuma alcança veias reticulares e varizes de pequeno e médio calibre e pode ser usada em varizes salientes. Quando a variz é causada por refluxo na safena, o tratamento da origem do problema, em geral com laser endovenoso, costuma ser necessário.
Posso escolher o tratamento que eu prefiro?
Sua preferência é considerada, e muitas vezes existe mais de uma opção adequada para o mesmo caso. Mas a escolha precisa respeitar o tipo de veia. Uma técnica feita para vasinhos não trata uma safena doente, e vice-versa. O médico apresenta as alternativas viáveis para o seu caso e vocês decidem juntos.
Dá para fazer escleroterapia e laser na mesma sessão?
Sim, quando se trata de laser transdérmico e escleroterapia. A associação é comum no tratamento de vasinhos e veias reticulares, como na lógica do criolaser com crioescleroterapia. Já o laser endovenoso pode ser feito junto com a flebectomia ou com a espuma, e os vasinhos residuais costumam ficar para uma etapa posterior.
Qual tratamento tem a recuperação mais rápida?
Escleroterapia, crioescleroterapia e laser transdérmico permitem voltar à rotina no mesmo dia, evitando apenas esforço intenso e exposição ao calor e ao sol. Laser endovenoso e flebectomia ambulatorial costumam liberar atividades leves em 24 a 48 horas. A cirurgia convencional exige o maior afastamento, normalmente de 2 a 4 semanas.
O plano de saúde cobre escleroterapia, laser ou cirurgia?
Depende da operadora, do contrato e, principalmente, da indicação clínica. Procedimentos com finalidade de tratar doença venosa documentada, com sintomas e refluxo comprovado ao ultrassom, têm mais chance de cobertura. Tratamentos com finalidade predominantemente estética, como a maior parte das sessões para vasinhos, em geral não são cobertos. A equipe médica orienta sobre relatórios e laudos necessários.
Quando procurar um cirurgião vascular
Se você tem vasinhos que incomodam, veias que estão engrossando, peso ou inchaço nas pernas, ou já ouviu indicações diferentes e ficou em dúvida entre escleroterapia, laser e cirurgia, o próximo passo é uma avaliação. É ela que transforma uma pergunta genérica em um plano para as suas veias.
Na Clínica EVAS, a avaliação começa pela escuta, passa pelo exame físico e, quando necessário, pelo mapeamento venoso com ultrassom. O objetivo é indicar a técnica certa, ou a combinação certa, para cada veia: nem mais, nem menos.
Conheça todas as técnicas disponíveis na página de tratamentos.
A Clínica EVAS atende em São Paulo (Bela Vista e Shopping Cidade Jardim), Londrina (Lago Parque) e Rio de Janeiro (Grupo Paula Bellotti).
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