Sentir as pernas pesadas, ver varizes que crescem progressivamente e ouvir falar em “cirurgia” são situações que geram muita ansiedade. Por muito tempo, a única solução para varizes de maior calibre era mesmo a cirurgia convencional — com anestesia geral, internação e semanas de repouso.
Hoje, isso mudou. O laser endovenoso é o procedimento minimamente invasivo que substituiu a cirurgia tradicional para a maioria dos casos de varizes tronculares e insuficiência da veia safena. Sem cortes, sem internação, com retorno rápido às atividades.
Neste guia, a equipe médica da Clínica EVAS explica como o procedimento funciona, quem pode se beneficiar e o que esperar do processo.
O que é o laser endovenoso?
O laser endovenoso — também chamado de EVLA (Endovenous Laser Ablation) ou EVLT (Endovenous Laser Treatment) — é uma técnica que utiliza energia luminosa para tratar varizes por dentro da própria veia.
Em vez de remover fisicamente o vaso por incisões, como ocorre na safenectomia tradicional, o procedimento introduz uma fibra óptica no interior da veia por meio de uma única punção. Guiada por ultrassom em tempo real, essa fibra emite pulsos de laser que aquecem a parede do vaso de forma controlada, promovendo seu colapso e fechamento definitivo.
Com o tempo, a veia fechada é reabsorvida pelo organismo. O fluxo sanguíneo é redirecionado automaticamente para as veias saudáveis mais profundas.
Como é feito o procedimento passo a passo
Entender cada etapa ajuda a reduzir a ansiedade e a chegar ao procedimento com expectativas realistas.
1. Avaliação e mapeamento venoso
Antes de qualquer procedimento, é realizado um mapeamento venoso por ultrassom dúplex. Esse exame identifica quais veias têm refluxo (fluxo sanguíneo no sentido errado), o calibre dos vasos e o melhor ponto de acesso. É a base de toda a estratégia de tratamento.
2. Anestesia local tumescente
No dia do procedimento, o médico aplica anestesia tumescente ao redor do trajeto da veia. Trata-se de uma solução anestésica injetada em pequena quantidade ao longo do percurso, que adormece a região e protege os tecidos ao redor do calor do laser.
3. Acesso e posicionamento da fibra
Por uma punção com agulha fina — sem nenhum corte — é introduzido um cateter fino. Por dentro dele, a fibra óptica é avançada até a posição correta, sempre monitorada pelo ultrassom.
4. Ablação a laser
Com a fibra posicionada, o laser é ativado. À medida que a fibra é retirada lentamente, o calor promove o colapso da veia em todo o seu trajeto. O processo dura poucos minutos.
5. Compressão e orientações pós-procedimento
Ao final, aplica-se uma meia de compressão, que deve ser usada conforme orientação médica. O paciente recebe alta em seguida e, na maioria dos casos, já vai caminhando.
Laser endovenoso vs. cirurgia tradicional de varizes: comparação direta
| Critério | Laser Endovenoso | Cirurgia Convencional (Safenectomia) |
|---|---|---|
| Tipo de anestesia | Local tumescente | Geral ou raquidiana |
| Internação | Não necessária | Necessária (geralmente 1 dia) |
| Cortes na pele | Apenas punção (sem sutura) | Incisões com suturas |
| Recuperação | 24–48h para atividades leves | 2 a 4 semanas |
| Risco de infecção cirúrgica | Mínimo | Presente |
| Cicatrizes visíveis | Não | Possível |
| Eficácia em longo prazo | Alta (comparável à cirurgia) | Alta |
| Guiado por ultrassom | Sim (tempo real) | Depende da técnica |
Para quem o laser endovenoso é indicado?
O procedimento é a primeira linha de tratamento para casos de insuficiência venosa com refluxo nas veias safenas — magna (interna) ou parva (externa). Também é indicado para:
- Varizes tronculares de médio e grande calibre
- Pacientes com sintomas como dor, peso e inchaço causados por refluxo venoso documentado
- Casos em que a escleroterapia convencional não seria suficiente isoladamente
- Pacientes que desejam evitar cirurgia convencional e seus riscos associados
É importante ressaltar que nem todos os casos de varizes necessitam de laser endovenoso. Vasinhos finos e varizes reticulares respondem bem à escleroterapia. A indicação correta depende sempre de avaliação clínica e mapeamento venoso individualizados.
Quem não pode fazer laser endovenoso?
Algumas situações podem contraindicar o procedimento ou exigir avaliação mais cuidadosa:
- Trombose venosa profunda ativa ou recente
- Veias com trajeto muito tortuoso ou calibre inadequado para a técnica
- Pacientes com coagulopatias não controladas
- Gravidez (o tratamento é postergado para após o parto, salvo exceções)
- Infecção ativa na região a ser tratada
O especialista vascular avaliará cada caso com base no exame clínico e no ultrassom para determinar a melhor conduta.
Recuperação: o que esperar nos primeiros dias
A recuperação do laser endovenoso é um dos pontos que mais surpreende quem vinha se preparando mentalmente para a cirurgia tradicional.
Nas primeiras 24–48 horas: é comum sentir leve desconforto ao longo do trajeto tratado, semelhante a uma contusão muscular. Caminhadas leves são incentivadas desde o primeiro dia.
Na primeira semana: pode aparecer um cordão endurecido sob a pele, no trajeto da veia tratada. Isso é esperado e faz parte do processo de cicatrização interna da veia fechada. Equimoses (hematomas) leves também são possíveis.
Nos primeiros 15 dias: é recomendado evitar atividades de impacto intenso, exposição a calor excessivo (sauna, banho muito quente) e longos períodos em pé parado. O uso da meia de compressão conforme orientação é fundamental nessa fase.
Consulta de retorno: geralmente agendada entre 7 e 30 dias após o procedimento, com ultrassom de controle para confirmar o fechamento da veia tratada.
Laser endovenoso tem cobertura de plano de saúde?
Em muitos casos, sim. Quando há indicação clínica documentada — insuficiência venosa com refluxo comprovado por mapeamento dúplex — o procedimento costuma estar coberto pela maioria dos planos de saúde com carência vencida.
A cobertura varia de acordo com a operadora, o plano contratado e a necessidade de autorização prévia. O cirurgião vascular pode fornecer o relatório médico e os laudos de exame necessários para o processo de autorização.
Em casos predominantemente estéticos (sem sintomas clínicos), a cobertura pode não se aplicar. Essa distinção é avaliada na consulta.
O laser endovenoso elimina também os vasinhos?
Não diretamente. O laser endovenoso atua nas veias de maior calibre responsáveis pelo refluxo — as chamadas veias tronculares. Os vasinhos superficiais (telangiectasias) e as varizes reticulares são tratados separadamente, em geral com escleroterapia ou crioescleroterapia.
Na prática, muitos pacientes precisam de uma combinação de procedimentos para um resultado completo: o laser fecha a “fonte” do problema (o refluxo nas veias safenas), e a escleroterapia trata as ramificações visíveis. O médico definirá o plano completo na consulta.
Perguntas frequentes sobre laser endovenoso
O laser endovenoso dói?
O procedimento é realizado sob anestesia local tumescente, o que torna o processo bastante tolerável. A maioria dos pacientes relata apenas leve pressão durante a aplicação. Na Clínica EVAS, está disponível o protocolo ANNOX de analgesia consciente com óxido nitroso para quem deseja ainda mais conforto.
Quantas sessões são necessárias?
Para o fechamento das veias safenas com laser, geralmente é necessária apenas uma sessão por membro. Sessões adicionais de escleroterapia podem ser planejadas para tratar vasinhos associados.
As varizes voltam após o laser endovenoso?
A veia tratada não reabre. No entanto, novas varizes podem surgir ao longo do tempo em outros segmentos venosos, especialmente se os fatores de risco (genética, sedentarismo, obesidade, longos períodos em pé) persistirem. O acompanhamento regular com especialista vascular é recomendado.
Posso trabalhar no dia seguinte ao procedimento?
Em trabalhos com atividade leve ou remota, sim, na maioria dos casos. Atividades que exigem longos períodos em pé parado ou esforço físico intenso podem precisar de alguns dias de adaptação, conforme orientação do médico.
O laser endovenoso deixa cicatriz?
Não. Como o acesso é feito por punção (sem corte), não há sutura nem cicatriz visível. Eventuais equimoses na pele desaparecem nas primeiras semanas.
Quando procurar um especialista vascular
Se você tem varizes visíveis, sente as pernas pesadas ao final do dia, percebe inchaço recorrente ou já foi orientado por outro médico a tratar as veias safenas — a avaliação com um cirurgião vascular é o passo mais importante.
O mapeamento venoso por ultrassom é o exame fundamental para entender o que está acontecendo no seu sistema venoso e definir o melhor tratamento. Sem ele, nenhuma indicação de procedimento pode ser feita com segurança.
Na Clínica EVAS, o atendimento começa por uma avaliação clínica completa e personalizada, com mapeamento venoso quando necessário. O objetivo é oferecer o tratamento mais adequado para o seu caso — nem mais, nem menos.
A Clínica EVAS atende em São Paulo (Bela Vista) e Londrina (Lago Parque).
Agende sua consulta e dê o primeiro passo para pernas mais leves e saudáveis.

