Escleroterapia com espuma: o que é e quando é indicada

Publicado 16 de julho de 2026
Tratamentos
Escleroterapia com espuma: o que é e quando é indicada

Você já fez escleroterapia líquida para os vasinhos, mas ainda tem veias reticulares ou pequenas varizes que não fecharam completamente? Ou o seu médico comentou que o seu caso “precisa de espuma” e você ficou sem entender a diferença? Essa dúvida é comum — e faz sentido, já que grande parte do que se fala sobre escleroterapia por aí trata da forma líquida, mais simples e usada em vasos muito finos.

escleroterapia com espuma (ou microespuma esclerosante) é uma evolução da técnica tradicional, desenvolvida justamente para tratar vasos de calibre um pouco maior, com mais eficácia e menos sessões. Neste guia, a equipe médica da Clínica EVAS explica como a espuma é preparada, em que ela difere da forma líquida e quando essa é a escolha certa para o seu caso.

O que é a escleroterapia com espuma?

A escleroterapia com espuma é uma variação da escleroterapia convencional em que o agente esclerosante — geralmente o polidocanol — é misturado com ar ou gás em proporções controladas, transformando-se em uma microespuma densa antes de ser injetado na veia.

Diferente da forma líquida, que se dilui rapidamente no sangue dentro do vaso, a espuma desloca o sangue para os lados e ocupa todo o espaço interno da veia. Esse contato mais prolongado e mais completo com a parede do vaso é o que torna a técnica mais eficaz em veias de maior calibre, onde a forma líquida perderia potência antes de agir em toda a extensão do vaso.

Como a microespuma é preparada

A forma mais utilizada de preparo é a técnica de Tessari, um método simples e padronizado que consiste em conectar duas seringas — uma com o esclerosante líquido e outra com ar ou gás — por meio de uma torneira de três vias. O conteúdo é passado rapidamente de uma seringa para a outra, em movimentos repetidos, até formar uma espuma homogênea e de bolhas finas.

A proporção entre líquido e gás, o número de passagens entre as seringas e a concentração do esclerosante são ajustados pelo médico conforme o calibre do vaso a ser tratado. A espuma tem vida útil curta — perde a consistência ideal em poucos minutos — por isso é preparada momentos antes da aplicação, dentro do próprio procedimento.

Escleroterapia líquida vs. espuma: as diferenças na prática

CritérioEscleroterapia líquidaEscleroterapia com espuma
Indicação principalVasinhos (telangiectasias) muito finosVarizes reticulares e de pequeno/médio calibre
Calibre dos vasosAté cerca de 1 mmDe 1 mm a alguns milímetros de diâmetro
Contato com a parede do vasoBreve, diluído pelo fluxo sanguíneoProlongado, desloca o sangue e ocupa todo o vaso
Volume necessário por sessãoMaior volume de esclerosanteMenor volume para o mesmo efeito
Uso com guia de ultrassomGeralmente dispensávelFrequente em vasos mais profundos (eco-escleroterapia)
Número de sessõesCostuma exigir mais sessõesCostuma exigir menos sessões para vasos maiores
Uso combinadoPode ser complementada com espumaPode ser complementada com técnica líquida nos vasos mais finos

Na prática, as duas técnicas costumam ser usadas na mesma sessão: a espuma trata as veias reticulares e varizes de calibre um pouco maior, enquanto a forma líquida finaliza os vasinhos mais superficiais que restarem. Essa combinação é definida pelo cirurgião vascular conforme o mapeamento dos vasos de cada paciente.

Escleroterapia guiada por ultrassom (eco-escleroterapia)

Quando os vasos a serem tratados são mais profundos ou não estão totalmente visíveis a olho nu — como parte das veias reticulares ou pequenas varizes tributárias —, a aplicação é feita sob orientação de ultrassom em tempo real. Esse recurso, chamado de eco-escleroterapia, permite que o médico visualize a agulha entrando exatamente no ponto certo do vaso e acompanhe a distribuição da espuma dentro dele durante a injeção.

A eco-escleroterapia aumenta a precisão do procedimento e é especialmente útil em veias de trajeto mais irregular ou em pacientes que já passaram por tratamentos anteriores, onde a anatomia venosa pode estar alterada.

Na Clínica EVAS, a decisão entre escleroterapia líquida, com espuma ou guiada por ultrassom é sempre feita após avaliação clínica e, quando necessário, mapeamento com ultrassom Doppler — para garantir que o tratamento certo seja aplicado ao vaso certo.

Para quem a escleroterapia com espuma é indicada?

  • Veias reticulares (calibre intermediário, entre os vasinhos finos e as varizes maiores)
  • Varizes de pequeno e médio calibre, sem indicação de laser endovenoso
  • Vasos que já foram tratados com escleroterapia líquida sem fechamento completo
  • Pacientes com múltiplos vasos a tratar, buscando reduzir o número de sessões
  • Casos em que a via de acesso é mais profunda e exige orientação por ultrassom

Assim como na escleroterapia líquida, a indicação depende de avaliação prévia — incluindo, quando necessário, investigação de refluxo venoso associado. Vasos alimentados por uma veia safena insuficiente tendem a recidivar se a causa não for tratada antes ou em conjunto, muitas vezes com laser endovenoso.

Quem não deve fazer escleroterapia com espuma?

  • Gestantes
  • Pacientes com trombose venosa profunda ativa ou recente
  • Histórico de alergia ao agente esclerosante
  • Insuficiência arterial periférica grave não avaliada
  • Infecção ativa na região a ser tratada
  • Pacientes com histórico de enxaqueca com aura ou forame oval patente não investigado (avaliados com cautela adicional, pela possível relação com distúrbios visuais transitórios após a espuma)

A avaliação médica prévia é o que determina, com segurança, se a técnica é adequada para cada paciente.

Como é o procedimento passo a passo

1. Avaliação e, se necessário, mapeamento por ultrassom

O médico examina os vasos e, quando há suspeita de refluxo ou veias mais profundas envolvidas, solicita ultrassom Doppler para definir a extensão do tratamento.

2. Preparo da microespuma

Momentos antes da aplicação, a espuma é preparada com a concentração adequada ao calibre do vaso.

3. Aplicação guiada (quando indicada)

Com o paciente deitado, a espuma é injetada diretamente no vaso, com ou sem apoio de ultrassom em tempo real, conforme a profundidade e o trajeto da veia.

4. Compressão local

Ao final da aplicação em cada segmento, é feita compressão local e, na sequência, o uso de meia de compressão, essencial para o resultado do tratamento.

5. Retorno às atividades

O paciente pode caminhar imediatamente após o procedimento e retomar a rotina no mesmo dia, evitando apenas esforços físicos intensos e exposição a calor.

Cuidados após a escleroterapia com espuma

  • Uso da meia de compressão pelo período orientado pelo médico
  • Caminhadas leves logo após o procedimento, para estimular a circulação
  • Evitar exposição solar direta nas áreas tratadas por algumas semanas
  • Evitar banhos muito quentes, sauna e piscina nos primeiros dias
  • Comparecer às consultas de retorno para avaliar a evolução do fechamento dos vasos

Riscos e efeitos possíveis

A escleroterapia com espuma é considerada seguro quando realizada por profissional especializado, mas alguns efeitos podem ocorrer:

  • Hiperpigmentação: manchas escuras temporárias na pele acima do vaso tratado, que costumam clarear com o tempo
  • Matting: surgimento de vasinhos muito finos ao redor da área tratada, geralmente transitório
  • Distúrbios visuais transitórios: alterações visuais breves relatadas em uma pequena parcela dos pacientes após o uso de espuma, sem relação com dano permanente e que costumam se resolver em minutos
  • Microtromboses locais: pequenos coágulos no trajeto tratado, que podem exigir drenagem simples em consulta de retorno

Esses efeitos são discutidos individualmente na consulta, e o planejamento da técnica — líquida, espuma ou combinação das duas — leva em conta o perfil de cada paciente para minimizar os riscos.

Perguntas frequentes sobre escleroterapia com espuma

Escleroterapia com espuma dói mais que a forma líquida?

Não costuma haver diferença relevante de dor entre as duas técnicas. A maioria dos pacientes relata apenas um desconforto leve, semelhante a uma picada fina, durante a aplicação, sem necessidade de anestesia.

Quantas sessões de escleroterapia com espuma são necessárias?

Varia conforme o calibre e a extensão dos vasos, mas por tratar vasos maiores com mais eficácia por aplicação, a espuma costuma exigir menos sessões que a forma líquida para o mesmo resultado — em geral, de 2 a 4 sessões, com intervalo de 3 a 4 semanas.

A espuma é mais forte ou mais arriscada que o esclerosante líquido?

A espuma usa a mesma substância esclerosante da forma líquida, apenas em uma apresentação diferente. Ela não é “mais forte” quimicamente, mas tem maior alcance dentro do vaso — por isso é reservada para vasos que a forma líquida não trataria com a mesma eficácia.

Escleroterapia com espuma serve para varizes grandes?

Para varizes tronculares de maior calibre, associadas a refluxo na veia safena, o tratamento indicado costuma ser o laser endovenoso. A espuma é indicada para veias reticulares e varizes de pequeno e médio calibre, podendo ser usada em conjunto com o laser no mesmo plano de tratamento.

A escleroterapia com espuma tem cobertura de plano de saúde?

Quando há indicação clínica documentada — associada a sintomas ou a refluxo venoso comprovado — a cobertura costuma variar conforme a operadora e a necessidade de autorização prévia. Em casos predominantemente estéticos, a cobertura pode não se aplicar. Essa distinção é avaliada na consulta.

Os vasos tratados com espuma podem voltar?

O vaso tratado e absorvido pelo organismo não retorna. Mas novos vasos podem surgir ao longo do tempo, especialmente diante de fatores como predisposição genética, longos períodos em pé ou refluxo venoso não tratado — por isso o acompanhamento periódico é recomendado.

Posso combinar escleroterapia com espuma e a forma líquida na mesma sessão?

Sim. É comum que o médico utilize a espuma nos vasos reticulares e de calibre um pouco maior, e a forma líquida nos vasinhos mais finos que restarem, tudo na mesma sessão de tratamento.

Avaliação individualizada é o ponto de partida

A escolha entre escleroterapia líquida, com espuma ou guiada por ultrassom não deve ser feita de forma genérica — ela depende do calibre dos vasos, da presença de refluxo venoso e do histórico de cada paciente. Um vasinho aparentemente simples pode estar sendo alimentado por uma varize ainda não identificada, e tratar apenas o que é visível costuma trazer resultado incompleto.

Na Clínica EVAS, a avaliação combina exame clínico e, quando necessário, ultrassom Doppler, para definir com precisão qual técnica de escleroterapia — ou combinação delas — é a mais adequada para o seu caso. Atendemos em São Paulo (Bela Vista) e Londrina (Lago Parque) e Rio de Janeiro.

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