Varizes: o que são, tipos, causas e quando tratar

Publicado 13 de maio de 2026
Saúde Vascular
Varizes: o que são, tipos, causas e quando tratar

Poucos problemas de saúde são tão comuns — e tão mal compreendidos — quanto as varizes. Muita gente chega ao consultório achando que o problema é apenas estético, quando na verdade as varizes podem ser o sinal visível de uma disfunção venosa que, sem tratamento, evolui e traz consequências sérias.

Neste guia completo, você vai entender o que são as varizes, por que elas aparecem, quais são os diferentes tipos e quando é hora de procurar um especialista. Se você sente aquela sensação de pernas pesadas no fim do dia — ou simplesmente quer entender o que está acontecendo — este artigo é para você.

O que são varizes?

Varizes são veias dilatadas, tortuosas e alongadas que perdem sua forma e função normais. Para entender por que elas aparecem, é preciso entender como o sistema venoso funciona.

As veias têm a missão de levar o sangue de volta ao coração — e nas pernas, isso significa empurrar o sangue de baixo para cima, contra a gravidade. Para que esse trabalho aconteça sem que o sangue “escorregue” de volta, as veias possuem válvulas internas, pequenas estruturas em forma de aleta que se fecham a cada batimento cardíaco, impedindo o refluxo.

Quando essas válvulas enfraquecem ou são danificadas, o sangue começa a se acumular nas veias. Esse acúmulo aumenta a pressão sobre a parede venosa, que vai se dilatando progressivamente — formando o que chamamos de variz.

Qual a diferença entre vasinhos, varizes reticulares e varizes tronculares?

Nem toda dilatação venosa visível na perna é igual. A classificação leva em conta o calibre e a profundidade das veias afetadas:

TipoDiâmetroAparênciaProfundidade
Telangiectasias (vasinhos)< 1 mmFios avermelhados ou arroxeados, sem relevoSuperficial (intradérmica)
Varizes reticulares1–3 mmLinhas azuladas visíveis sob a pele, sem relevo pronunciadoSubcutânea
Varizes tronculares> 3 mmVeias salientes, tortuosas, em relevo, geralmente azuladas ou esverdeadasSubcutânea profunda

As varizes tronculares são as mais preocupantes do ponto de vista clínico, pois frequentemente envolvem as veias safenas — as principais veias superficiais da perna — e costumam estar associadas à insuficiência venosa crônica.

A classificação CEAP: como a gravidade é medida

Médicos vasculares utilizam a classificação CEAP (Clínica, Etiológica, Anatômica e Fisiopatológica) para estadiar a doença venosa crônica de forma padronizada. A parte clínica é a mais relevante para o paciente:

EstágioO que significa
C0Sem sinais visíveis de doença venosa
C1Telangiectasias (vasinhos) ou varizes reticulares
C2Varizes tronculares
C3Edema (inchaço) de origem venosa
C4Alterações na pele: pigmentação, eczema, lipodermatoesclerose
C5Úlcera venosa cicatrizada
C6Úlcera venosa ativa

Essa classificação ajuda a definir a urgência do tratamento e a melhor abordagem terapêutica para cada caso.

Quais são as causas das varizes?

As varizes resultam de uma combinação de predisposição genética e fatores adquiridos. Os principais são:

Hereditariedade

É o fator mais determinante. Se um dos pais tem varizes, a chance de o filho desenvolvê-las é significativamente maior — e sobe ainda mais quando ambos os pais são afetados. Isso se deve à tendência hereditária à fraqueza da parede venosa e das válvulas.

Sexo feminino e hormônios

Mulheres são acometidas com maior frequência do que homens. Os hormônios femininos — especialmente o estrogênio e a progesterona — relaxam a musculatura da parede das veias, facilitando a dilatação. Por isso, as varizes tendem a aparecer ou piorar na gravidez, no uso de anticoncepcionais hormonais e na menopausa.

Gravidez

A gravidez aumenta o volume sanguíneo circulante, eleva os níveis hormonais e comprime as veias pélvicas com o crescimento uterino — uma combinação que favorece o aparecimento de varizes. Saiba mais em nosso artigo sobre varizes na gravidez.

Postura prolongada

Ficar muito tempo em pé ou sentado sem movimentação dificulta o retorno venoso. Profissionais que passam horas na mesma posição — professores, cabeleireiros, trabalhadores de escritório — têm risco aumentado.

Obesidade e sobrepeso

O excesso de peso aumenta a pressão intra-abdominal e sobrecarrega as veias dos membros inferiores, acelerando o processo de dilatação venosa.

Idade

Com o envelhecimento natural, as paredes das veias e as válvulas perdem elasticidade e eficiência. A prevalência de varizes cresce significativamente a partir dos 40 anos.

Sedentarismo

A musculatura da panturrilha funciona como uma “bomba” que impulsiona o sangue de volta ao coração. O sedentarismo enfraquece essa bomba muscular, prejudicando o retorno venoso.

Quais são os sintomas das varizes?

As varizes podem estar presentes sem causar nenhum sintoma — especialmente nos estágios iniciais. Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:

  • Sensação de peso e cansaço nas pernas, que piora ao longo do dia e melhora ao deitar com as pernas elevadas
  • Dor ou ardência ao longo do trajeto das veias
  • Inchaço nos tornozelos e pés, especialmente no final do dia
  • Cãibras noturnas
  • Coceira sobre as varizes
  • Sensação de calor nas pernas
  • Alterações na pele: ressecamento, pigmentação escura, endurecimento (nos estágios mais avançados)

Vale lembrar: a intensidade dos sintomas não é proporcional ao tamanho das varizes. Alguns pacientes com varizes extensas relatam pouco desconforto, enquanto outros com vasinhos sofrem com dor e queimação significativas.

Se você sente pernas pesadas e inchadas com frequência, leia também nosso artigo: Pernas pesadas e inchadas: quando isso pode indicar um problema vascular?

Varizes podem trazer complicações?

Sim. Quando não tratadas, as varizes podem evoluir para complicações mais sérias:

Tromboflebite superficial

Inflamação e formação de coágulo dentro de uma variz. Causa dor intensa, vermelhidão e endurecimento sobre a veia afetada. Exige avaliação médica imediata.

Sangramento de variz

Em estágios avançados, a pele sobre a variz fica tão fina que um pequeno trauma pode causar sangramento — às vezes volumoso. Situação de urgência.

Úlcera venosa

A complicação mais grave da insuficiência venosa crônica avançada. Feridas abertas na perna, geralmente próximas ao tornozelo, de difícil cicatrização e com grande impacto na qualidade de vida.

Trombose venosa profunda (TVP)

A presença de varizes é considerada um fator de risco para TVP, especialmente em situações de imobilidade prolongada. Leia mais sobre trombose venosa profunda.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa pela avaliação clínica com o cirurgião vascular ou flebologista: histórico do paciente, exame físico das pernas em posição ortostática (de pé) e identificação dos fatores de risco.

O exame complementar fundamental é o ultrassom com Doppler venoso — também chamado de mapeamento venoso. Ele é indolor, não utiliza radiação e permite:

  • Identificar o ponto de refluxo (onde a válvula está incompetente)
  • Avaliar o sistema venoso profundo (essencial antes de qualquer tratamento)
  • Mapear as veias safenas e planejar a melhor estratégia terapêutica
  • Descartar a presença de trombose venosa profunda

Essa avaliação é imprescindível — tratar varizes sem um Doppler adequado é como operar sem ver o que está fazendo.

Quais são os tratamentos disponíveis para varizes?

As opções de tratamento variam de acordo com o tipo, a extensão e a gravidade das varizes. As principais são:

Escleroterapia

Injeção de uma substância esclerosante diretamente na variz, provocando sua obliteração. É o tratamento de escolha para vasinhos (telangiectasias) e varizes reticulares. Pode ser realizada com ou sem guia de ultrassom. Saiba mais em nosso artigo sobre escleroterapia.

Ablação endovenosa a laser (EVLA)

Uma fibra óptica é introduzida na veia safena e emite energia laser que fecha a veia por dentro. Procedimento minimamente invasivo, sem cortes, com recuperação rápida. Indicado para varizes tronculares por insuficiência de safena. Conheça mais sobre o tratamento de varizes a laser.

Ablação por radiofrequência (RFA)

Princípio semelhante ao laser, mas utilizando energia de radiofrequência. Apresenta excelente perfil de segurança e eficácia comparável ao laser, com menos desconforto pós-procedimento em alguns estudos.

Cirurgia convencional (safenectomia)

Retirada cirúrgica da veia safena por pequenas incisões. Indicada em casos selecionados, especialmente quando as veias têm calibre muito grande ou anatomia que dificulta os procedimentos endovenosos.

Microcirurgia de varizes (flebectomia ambulatorial)

Retirada de varizes tributárias por micro-incisões com ganchos especiais. Frequentemente combinada com ablação endovenosa para resultados completos.

Meias de compressão

Não tratam as varizes existentes, mas ajudam a controlar os sintomas, prevenir a progressão da doença e são indicadas em situações de risco (gestação, viagens longas, pós-operatório). Devem ser prescritas pelo médico — o grau de compressão faz diferença.

Quando devo procurar um especialista vascular?

Não espere os sintomas piorarem. Consulte um cirurgião vascular ou flebologista se:

  • Você percebeu o aparecimento ou o crescimento de varizes
  • Sente cansaço, peso, dor ou inchaço frequentes nas pernas
  • Tem fatores de risco (histórico familiar, gravidez, trabalho em posição estática)
  • Percebeu alterações na pele ao redor das varizes (escurecimento, ressecamento, endurecimento)
  • Já teve episódio de tromboflebite ou sangramento

Lembre-se: quanto mais cedo o diagnóstico, mais simples e eficaz o tratamento. Varizes em estágio inicial respondem muito bem a procedimentos minimamente invasivos com recuperação rápida.

Perguntas frequentes sobre varizes

Varizes têm cura?

As varizes existentes podem ser tratadas e eliminadas com eficácia pelos procedimentos disponíveis. No entanto, como existe predisposição genética e fatores de risco individuais, novas varizes podem surgir ao longo da vida. O acompanhamento regular com especialista e o controle dos fatores de risco são fundamentais para retardar o reaparecimento.

Varizes pioram com exercício físico?

Não — pelo contrário. Exercícios de baixo impacto como caminhada, natação e ciclismo fortalecem a musculatura da panturrilha e melhoram o retorno venoso. O que deve ser evitado são exercícios que aumentam muito a pressão intra-abdominal (como levantamento de peso pesado sem orientação), especialmente em quem já tem varizes avançadas.

Varizes são apenas um problema estético?

Não. Embora o impacto estético incomode muito os pacientes, as varizes são uma manifestação de disfunção do sistema venoso. Sem tratamento, podem evoluir para edema crônico, alterações de pele e úlceras venosas — condições que comprometem significativamente a qualidade de vida.

Qual médico trata varizes?

O especialista indicado é o cirurgião vascular ou o flebologista. Esses profissionais têm a formação específica para realizar o mapeamento venoso com Doppler, indicar o tratamento mais adequado e executar os procedimentos disponíveis.

Quando as varizes exigem tratamento urgente?

Procure atendimento imediato em caso de sangramento de variz (pressione o local e vá ao pronto-socorro), sinais de tromboflebite (vermelhidão intensa, calor e dor sobre a variz) ou suspeita de trombose venosa profunda associada.

Cuidando das suas veias com quem entende do assunto

As varizes afetam a qualidade de vida muito além da aparência — e o tratamento adequado transforma a rotina dos pacientes. Na Clínica EVAS, realizamos a avaliação completa com mapeamento venoso por Doppler e oferecemos todas as opções de tratamento disponíveis, desde a escleroterapia até os procedimentos endovenosos mais modernos, com equipe especializada em cirurgia vascular e flebologia.

Atendemos em São Paulo, Londrina e Rio de JaneiroAgende sua consulta e dê o primeiro passo para cuidar das suas pernas com quem é referência em saúde vascular.